terça-feira, 17 de novembro de 2015

Guerra Santa?

Não costumo pronunciar-me publicamente sobre questões políticas. Mas neste momento considero necessário fazer uma reflexão sobre o que se passa, para ver se eu própria começo a perceber melhor a realidade que nos rodeia.

A história do Cristianismo e a do Islamismo são ambas longas.

As regras segundo as quais funcionam os muçulmanos, principalmente os mais extremistas, já são criticadas há muito tempo por cristãos. Houve algumas tentativas de abolir algumas dessas regras, nomeadamente as que envolviam crianças (ex: meninas de 7/8 anos que casam com homens de 40 e tal), mas parece-me que nunca se pretendeu que as pessoas deixassem de ter as suas crenças e viver segundo a sua religião.

Agora surge um grupo dentro do Islamismo, que se organizou em Estado, com Governo constituído e ideias bem definidas. A mais forte: Reconquistar o Califado.

O califado consiste na escolha de um líder (califa), que é visto como sucessor do Profeta Maomé e o líder máximo dos crentes Sunitas.

Este é o mapa do plano para o Califado do século XXI, que o Estado Islâmico pretende alcançar até 2019/ 2020...  A ideia é ir de Lisboa até ao Paquistão...Assustador?!

Fonte: O Observador - 12.08.2014

Estratégia para esta conquista (segundo o que parece): Semear o medo e tornar os habitantes dos territórios submissos à lei islâmica  ou então, exterminar toda a gente não se converta e pronto.

No dia 13 de novembro houve um atentado em Paris. Morreram 129 pessoas e muitas outras ficaram feridas. Foi semeado o terror!

François Hollande optou por retaliar, bombardeando a Síria (país que já foi invadido pelo Estado Islâmico e que está a mandar os seus refugiados para a Europa). Para além disso, deu a entender que esperava que os restantes países europeus o apoiassem nesta luta. 

Ou seja, está preparado o terreno para uma guerra mundial, supostamente sustentada em motivos religiosos.

Poder-se-ia pensar que, se a Europa se juntasse, esta seria uma guerra fácil de ganhar, mas eu não acredito nisso. Não acredito, porque eles começam a treinar as suas crianças desde cedo para serem guerreiros. Eles vivem para a guerra! Eles formam os seus jovens para serem mártires e se sujeitarem a missões suicidas. A devoção ao Profeta tem de ser superior ao amor à vida! Os cristãos não são assim. São uma minoria praticamente inexistente aqueles que poderão dizer que o seu amor a Deus supera o seu amor à vida. Para além disso, não me parece que tenhamos (sim, tenhamos, porque não duvidem que se houver guerra, desta vez Portugal entra) exércitos preparados para lutar contra os deles. A ver vamos...

O que eu gostaria mesmo era de dizer que isto se resolvia a bem, sem guerra, com negociações entre os países. Gostaria até de estar a criticar Hollande por ter retaliado. Mas neste contexto, não me parece que se resolva a situação de outra forma... Ou vamos à guerra, ou esperamos para ver se há invasão... E quando houver invasão, o que fazemos? Vamos à guerra?

Uma última nota: Serei só eu a reparar que a França não consta no mapa do Califado? Serei só eu pensar que se foi assim num país que não pretendem invadir, como será nos que pretendem que lhes pertençam?

Como diz uma pessoa de quem gosto muito, que vive em Paris, não vale a pena entrarmos em pânico, porque isto é como se fosse um meteorito (ou uma chuva deles): não sabemos onde vai cair, quando vai cair ou que estragos fará...

Para terminar, resta-me dizer "Be kind to each others", não se inibam de dizer a quem gostam que gostam, não se inibam de abraçar, sorriam muito, confiem, acreditem, VIVAM, e "façam o favor de ser felizes!"





quinta-feira, 12 de novembro de 2015

J - O que quer dizer gay?
Mãe - É um menino que prefere namorar com outros meninos em vez de namorar com meninas ou uma menina que prefere namorar com meninas.
J - A sério?! Que fixe!!!

Mê rico menino, qué o orgulho da sua mãe!!!! :-D

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um acidente e bons profissionais

Ontem, quando fui buscar o meu filho mais velho à escola, ele disse-me que tinha lascado um dente a brincar à apanhada. Chocou contra outro menino, bateram não sei bem como e o dente dele partiu uma pontinha. Acidentes que acontecem!

Perguntei-lhe se lhe doía, verifiquei se abanava, confirmei se estaria a ficar mais escuro que o outro. A tudo a resposta foi negativa.

Ainda assim, liguei para a dentista e ela pediu que eu lhe enviasse uma foto do dente, para ela avaliar e, em resposta ao envio, disse que queria fazer um Rx, para ter a certeza e que, até lá, queria que ele só comesse comida mole.

Como não tinha verificado a ementa da escola, achei que o mais simples era mandar almoço de casa (há sempre comida de dieta, mas imaginei que, relativamente à comida mole, não pudessem fazer muito mais do que passar-lhe a sopa e uma sopa não seria o suficiente para o almoço dele). Mandei uma canja, uma gelatina e uma banana.

Há pouco liguei para a escola, a pedir que pusessem a canja no frigorífico. Falei com a Coordenadora e ela disse-me que já estavam a fazer um almoço especial para o J. e que, nestas situações bastava avisar de manhã que a criança naquele dia tinha uma necessidade especial, que a escola trataria do assunto.

O tom de voz com que o disse acalmou-me e fez-me ter uma segurança incrivel na escola. Depois de desligar, só me apeteceu ligar outra vez, para lhe agradecer.

Que bom sentir que o meu filho está bem entregue!

(agora só falta que a dentista confirme que não é mesmo nada de grave)


                 (A foto que mandei à dentista. Sim, ele tem uns dentões bem grandes e sim, ele vai precisar de usar aparelho.)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Lost in translation

Há dois dias, o meu filho mais velho saiu da aula de inglês todo contente, a contar que tinham estado a falar sobre o halloween e que ele até tinha aprendido como se dizia abóbora em inglês. Fiquei contente por ele e expliquei-lhe que os ingleses também utilizam a palavra "pumpkin" como forma carinhosa de tratar alguém, principalmente crianças.

Falámos de como seria estranho eu chamar-lhe abobrinha e eu continuei com os exemplos, referindo as "couvinhas" dos franceses (petit-chou). Rimo-nos um bocado!

Agora soube que a atriz Zooey Deschanel decidiu chamar Elsie Otter à filha, referindo que era mesmo Otter (lontra) como o animal... Das duas, uma, ou a mãe quer destruir a auto-estima da filha, antes mesmo da rapariga ter tempo de a construir, ou chamar "lontra" a alguém nos Estados Unidos tem um significado bastante diferente daquele que tem em Portugal...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Palavras para memória futura

O P., neste momento com 2 anos e 1 mês, é um bocado trapalhão a falar.
Diz algumas palavras (ou adaptações de palavras) que têm graça, mas das que mais gosto são as junções que ele faz das personagens do agregado familiar

Pai-uão - Pai + João (o irmão)
Pá-mãe - Pai + mãe

Não há mãe-uão, porque ele é um menino da mamã e prefere que o pai seja para o irmão e a mãe para ele (a verdade é que na divisão de tarefas lá em casa, muitas vezes isso acontece).

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Confissões de mãe

Quando o J. nasceu, a minha vida sofreu todas aquelas alterações normais e absolutamente radicais que fazem parte desse processo.

Passado o choque inicial, acho que consegui ser uma mãe moderadamente descontraída nos primeiros 6 meses.

Mas aos 6 meses tudo mudou. O J. teve uma pneumonia bilateral (em ambos os pulmões), que o obrigou a estar internado uma semana e à qual se seguiram várias infeções respiratórias que, embora não tenham envolvido mais nenhum internamento, obrigaram a várias idas ao hospital, novas palavras no meu vocabulário (broncodilatadores, tiragem, cinesioterapia, rumores/gatinhos, etc...) e muitas horas e dias de stress, numa altura em que eu passava muito tempo sozinha com ele.

Nessa altura, senti que tinha que conseguir fazer mais pelo meu filho do que estava a fazer (as mães têm esta tendência natural para achar que a culpa é sua...) e tornei-me numa mãe muito (exageradamente, ridiculamente, perigosamente) ansiosa.

Fiz coisas que, agora que penso nisso... Como é que ninguém me internou numa instituição psiquiátrica??? Como é que a família e amigos aguentaram sem me dar um par de estalos??? Como é que ninguém fez uma queixa à Comissão de Proteção a Crianças e Jovens, por excesso de zelo que resultava mal???

Hoje decidi dar ao mundo blogosférico o meu testemunho, através de alguns exemplos do que fazia, para que qualquer mãe que leia isto pense (espero eu) "Boa! Há gente pior que eu!"

Atenção: As situações que se seguem não são caricatura nem ficção. Aconteceram mesmo!

Ora então, vamos lá aos exemplos:

1 - Dormir no Inverno - Nós viviamos num último andar que era muito frio no Inverno e muito quente no Verão. Seja como fôr, no Inverno tinhamos o aquecimento a óleo ligado durante o dia. Só que eu achava que o J. teria frio durante a noite e então vestia-lhe o seguinte para dormir: um body de manga comprida, um babygrow de algodão, um babygrow de veludo e um babygrow de polar (4 camadas de roupa!!!) e depois enfiava-o dentro de um saco de dormir, daqueles de onde eles não conseguem sair (dos que se "vestem") e punha-lhe um edredão por cima...

2 - Dormir no Verão - Tal como já referi, a nossa casa era muito quente no Verão. E eu tinha por hábito que, se o J. estivesse muito suado e o pijama começasse a ficar molhado, trocava-o, mesmo com a criança a dormir (ele não acordava). Só que no Verão, numa casa quente, o rapaz suava muito... Então, eu chegava a trocar-lhe o pijama 3 e 4 vezes por noite... (Ainda hoje mantenho a prática de trocar o pijama a ambos os meus filhos, no caso de estarem muito suados. Mas agora, o que faço é trocar uma vez o pijama e a seguir procurar algo mais leve para os tapar)

3 - Creche - As creches são sítios onde normalmente está muito frio, certo?! Não!!! Mas eu achava que o rapaz tinha de ir bem agasalhado e então mandei-o o inverno inteiro com 2 bodys de manga comprida + 1 camisola de algodão (de preferência gola alta) + polar. Como ele tinha frequentemente as mãos frias, eu achava que ele não estava suficientemente agasalhado, mas não sabia mais o que lhe vestir. Agora acho que as mãos frias deviam ser uma defesa do corpo dele a tanta roupa num lugar aquecido...

4 - Rua - Eu nunca sabia bem o que vestir ao J. e, por defeito, achava sempre que nunca estava muito calor. Por isso, o meu filho chegou a ser várias vezes a única pessoa num determinado local a andar de manga comprida, quando toda a gente estava de manga curta. Se o meu dignissimo marido vir isto acrescentará, com razão, que outro dos meus problemas era estar tão indecisa que ora vestia o casaco à criança ("agora está a vir um bocado de vento"), ora despia ("agora o vento passou e já está mais calor"), ora vestia outra vez ("agora está a arrefecer")...

5 - Tosse - O J. tinha grandes ataques de tosse. Ele chegava a ter alturas em tossia praticamente ininterruptamente durante o dia e a noite, vomitando a comida e o leite, em consequência disso. Mas as minhas reações à tosse deles, senhores, as minhas reações... Eu tinha ataques de choro, porque o miúdo estava com tosse, porque achava que lá vinha mais uma infeção respiratória das grandes. Às vezes, isso acontecia mesmo. Outras vezes, a coisa acabava por se resolver bem. Mas eu desesperava quase sempre!!!

Pronto, agora chega de me humilhar perante vós, porque penso que já terão percebido a ideia.

Felizmente, acho que no segundo filho estou bastante melhor e já não entro nestes exageros.

Há uns dias, eu estava com o P. (o meu mai-novo) e encontrei uma mãe de um colega dele com o seu filho na rua. O P. estava de t-shirt e o outro miúdo estava de camisola de algodão de manga comprida. A mãe sentiu necessidade de comentar esse facto, dizendo que já não vestia nem t-shirts, nem calções ao filho, porque achava que já estava frio e não queria passar o inverno a ir com ele às urgências, como tinha acontecido no ano passado. Eu respondi que cada criança é diferente da outra e que o P. é um rapaz "quente", que não pode ter muita roupa vestida, porque começa a suar e com o ventinho que já se sentia ao final do dia, era pior ele estar suado, porque aí sim, corria o sério risco de ficar doente. Depois ela acrescentou que na creche muitas vezes havia uma janela aberta o dia todo na sala e não os tapavam na hora da sesta e depois os miúdos apanhavam frio. Eu lá a tentei acalmar, dizendo que na creche eles andam com o bibe por cima da roupa e que isso já os aquece o suficiente. A certa altura, eu mencionei o meu filho mais velho e ela disse "Ah, pois, é que você já vai no segundo e por isso tem experiência. Mas eu não!"
Continuámos mais um bocadinho a conversa, sempre à volta do mesmo, e quando nos despedimos eu não consegui deixar de sorrir, com um certo orgulho de mim mesma e com a certeza que, de facto, ser primeiro ou segundo filho faz mesmo diferença.

(ou seja, se não me internaram até agora, já não precisam de o fazer, ok?!)

Diferenças entre filhos - a alimentação (ou mais propriamente, a gulodice)

Tenho um segundo filho muito diferente do primeiro e isso é bom!
É bom, porque permite que haja mais diversidade lá em casa e permite-nos a nós, pais aprendermos mais e irmo-nos reinventando à medida que os desafios vão surgindo.
Só que há coisas em que o J. era bem mais fácil que o P., nomeadamente na alimentação.
Ambos comem bem, em termos da quantidade. Mas o J., por gostar de sopa, fruta e vegetais e não gostar especialmente de "porcarias" (gomas, bolos, doces, batatas fritas,...) sempre teve uma alimentação muito saudável, sem que tivéssemos que nos esforçar. Já o P.... também gosta de sopa e fruta, mas ADORA todas as porcarias que estejam ao seu alcance!
Exemplo disso é a sua paixão por "tátas" (batatas fritas).
Há uns dias tivemos mais um exemplo da sua gulodice. Os únicos refrigerantes de que o J. gosta são sumol de laranja e fanta. Ambos com muito gás.
Estávamos a almoçar e o J. estava a beber sumol. O P. viu e começou aos gritos "Qué muchu!!!" (Tradução: Quero sumo). Nós, que às vezes lhe damos um bocadinho daqueles sumos tipo nectar, dissemos que não havia sumo do dele. Mas ele insistia que queria "muchu" e cada vez gritava mais alto. Então os paizinhos, pensando que lhe estavam a dar uma grande lição, decidiram dar-lhe um bocadinho de sumol, para ver se ele se calava. O pai avisou "Olha que isso tem picos! Tu não vais gostar!" Deixou-o beber um golinho e ficámos a ver a reação, achando que ele ia cuspir tudo. Ele franziu o sobrolho, fechou os olhos, suspirou e depois disse, com um ar muito contente:

- Qué mais muchu com piques!!!!

Desde aí, acha que sumo que é sumo, tem que ter "piques"...
Ah, e noutro dia apareceu ao pé de mim com chocolate desde o nariz até ao queixo, passando por ambas as bochechas, porque assaltou a mochila da escola do irmão e conseguiu abrir o tupperware que tinha ainda uma bolacha daquelas com um bocado de chocolate por cima (acho que se chamam qualquer coisa como Petit Prince)

Estou bem arranjada com este...