Ontem, quando fui buscar o meu filho mais velho à escola, ele disse-me que tinha lascado um dente a brincar à apanhada. Chocou contra outro menino, bateram não sei bem como e o dente dele partiu uma pontinha. Acidentes que acontecem!
Perguntei-lhe se lhe doía, verifiquei se abanava, confirmei se estaria a ficar mais escuro que o outro. A tudo a resposta foi negativa.
Ainda assim, liguei para a dentista e ela pediu que eu lhe enviasse uma foto do dente, para ela avaliar e, em resposta ao envio, disse que queria fazer um Rx, para ter a certeza e que, até lá, queria que ele só comesse comida mole.
Como não tinha verificado a ementa da escola, achei que o mais simples era mandar almoço de casa (há sempre comida de dieta, mas imaginei que, relativamente à comida mole, não pudessem fazer muito mais do que passar-lhe a sopa e uma sopa não seria o suficiente para o almoço dele). Mandei uma canja, uma gelatina e uma banana.
Há pouco liguei para a escola, a pedir que pusessem a canja no frigorífico. Falei com a Coordenadora e ela disse-me que já estavam a fazer um almoço especial para o J. e que, nestas situações bastava avisar de manhã que a criança naquele dia tinha uma necessidade especial, que a escola trataria do assunto.
O tom de voz com que o disse acalmou-me e fez-me ter uma segurança incrivel na escola. Depois de desligar, só me apeteceu ligar outra vez, para lhe agradecer.
Que bom sentir que o meu filho está bem entregue!
(agora só falta que a dentista confirme que não é mesmo nada de grave)
(A foto que mandei à dentista. Sim, ele tem uns dentões bem grandes e sim, ele vai precisar de usar aparelho.)
terça-feira, 10 de novembro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Lost in translation
Há dois dias, o meu filho mais velho saiu da aula de inglês todo contente, a contar que tinham estado a falar sobre o halloween e que ele até tinha aprendido como se dizia abóbora em inglês. Fiquei contente por ele e expliquei-lhe que os ingleses também utilizam a palavra "pumpkin" como forma carinhosa de tratar alguém, principalmente crianças.
Falámos de como seria estranho eu chamar-lhe abobrinha e eu continuei com os exemplos, referindo as "couvinhas" dos franceses (petit-chou). Rimo-nos um bocado!
Agora soube que a atriz Zooey Deschanel decidiu chamar Elsie Otter à filha, referindo que era mesmo Otter (lontra) como o animal... Das duas, uma, ou a mãe quer destruir a auto-estima da filha, antes mesmo da rapariga ter tempo de a construir, ou chamar "lontra" a alguém nos Estados Unidos tem um significado bastante diferente daquele que tem em Portugal...
Falámos de como seria estranho eu chamar-lhe abobrinha e eu continuei com os exemplos, referindo as "couvinhas" dos franceses (petit-chou). Rimo-nos um bocado!
Agora soube que a atriz Zooey Deschanel decidiu chamar Elsie Otter à filha, referindo que era mesmo Otter (lontra) como o animal... Das duas, uma, ou a mãe quer destruir a auto-estima da filha, antes mesmo da rapariga ter tempo de a construir, ou chamar "lontra" a alguém nos Estados Unidos tem um significado bastante diferente daquele que tem em Portugal...
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Palavras para memória futura
O P., neste momento com 2 anos e 1 mês, é um bocado trapalhão a falar.
Diz algumas palavras (ou adaptações de palavras) que têm graça, mas das que mais gosto são as junções que ele faz das personagens do agregado familiar
Pai-uão - Pai + João (o irmão)
Pá-mãe - Pai + mãe
Não há mãe-uão, porque ele é um menino da mamã e prefere que o pai seja para o irmão e a mãe para ele (a verdade é que na divisão de tarefas lá em casa, muitas vezes isso acontece).
Diz algumas palavras (ou adaptações de palavras) que têm graça, mas das que mais gosto são as junções que ele faz das personagens do agregado familiar
Pai-uão - Pai + João (o irmão)
Pá-mãe - Pai + mãe
Não há mãe-uão, porque ele é um menino da mamã e prefere que o pai seja para o irmão e a mãe para ele (a verdade é que na divisão de tarefas lá em casa, muitas vezes isso acontece).
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Confissões de mãe
Quando o J. nasceu, a minha vida sofreu todas aquelas alterações normais e absolutamente radicais que fazem parte desse processo.
Passado o choque inicial, acho que consegui ser uma mãe moderadamente descontraída nos primeiros 6 meses.
Mas aos 6 meses tudo mudou. O J. teve uma pneumonia bilateral (em ambos os pulmões), que o obrigou a estar internado uma semana e à qual se seguiram várias infeções respiratórias que, embora não tenham envolvido mais nenhum internamento, obrigaram a várias idas ao hospital, novas palavras no meu vocabulário (broncodilatadores, tiragem, cinesioterapia, rumores/gatinhos, etc...) e muitas horas e dias de stress, numa altura em que eu passava muito tempo sozinha com ele.
Nessa altura, senti que tinha que conseguir fazer mais pelo meu filho do que estava a fazer (as mães têm esta tendência natural para achar que a culpa é sua...) e tornei-me numa mãe muito (exageradamente, ridiculamente, perigosamente) ansiosa.
Fiz coisas que, agora que penso nisso... Como é que ninguém me internou numa instituição psiquiátrica??? Como é que a família e amigos aguentaram sem me dar um par de estalos??? Como é que ninguém fez uma queixa à Comissão de Proteção a Crianças e Jovens, por excesso de zelo que resultava mal???
Hoje decidi dar ao mundo blogosférico o meu testemunho, através de alguns exemplos do que fazia, para que qualquer mãe que leia isto pense (espero eu) "Boa! Há gente pior que eu!"
Atenção: As situações que se seguem não são caricatura nem ficção. Aconteceram mesmo!
Ora então, vamos lá aos exemplos:
1 - Dormir no Inverno - Nós viviamos num último andar que era muito frio no Inverno e muito quente no Verão. Seja como fôr, no Inverno tinhamos o aquecimento a óleo ligado durante o dia. Só que eu achava que o J. teria frio durante a noite e então vestia-lhe o seguinte para dormir: um body de manga comprida, um babygrow de algodão, um babygrow de veludo e um babygrow de polar (4 camadas de roupa!!!) e depois enfiava-o dentro de um saco de dormir, daqueles de onde eles não conseguem sair (dos que se "vestem") e punha-lhe um edredão por cima...
2 - Dormir no Verão - Tal como já referi, a nossa casa era muito quente no Verão. E eu tinha por hábito que, se o J. estivesse muito suado e o pijama começasse a ficar molhado, trocava-o, mesmo com a criança a dormir (ele não acordava). Só que no Verão, numa casa quente, o rapaz suava muito... Então, eu chegava a trocar-lhe o pijama 3 e 4 vezes por noite... (Ainda hoje mantenho a prática de trocar o pijama a ambos os meus filhos, no caso de estarem muito suados. Mas agora, o que faço é trocar uma vez o pijama e a seguir procurar algo mais leve para os tapar)
3 - Creche - As creches são sítios onde normalmente está muito frio, certo?! Não!!! Mas eu achava que o rapaz tinha de ir bem agasalhado e então mandei-o o inverno inteiro com 2 bodys de manga comprida + 1 camisola de algodão (de preferência gola alta) + polar. Como ele tinha frequentemente as mãos frias, eu achava que ele não estava suficientemente agasalhado, mas não sabia mais o que lhe vestir. Agora acho que as mãos frias deviam ser uma defesa do corpo dele a tanta roupa num lugar aquecido...
4 - Rua - Eu nunca sabia bem o que vestir ao J. e, por defeito, achava sempre que nunca estava muito calor. Por isso, o meu filho chegou a ser várias vezes a única pessoa num determinado local a andar de manga comprida, quando toda a gente estava de manga curta. Se o meu dignissimo marido vir isto acrescentará, com razão, que outro dos meus problemas era estar tão indecisa que ora vestia o casaco à criança ("agora está a vir um bocado de vento"), ora despia ("agora o vento passou e já está mais calor"), ora vestia outra vez ("agora está a arrefecer")...
5 - Tosse - O J. tinha grandes ataques de tosse. Ele chegava a ter alturas em tossia praticamente ininterruptamente durante o dia e a noite, vomitando a comida e o leite, em consequência disso. Mas as minhas reações à tosse deles, senhores, as minhas reações... Eu tinha ataques de choro, porque o miúdo estava com tosse, porque achava que lá vinha mais uma infeção respiratória das grandes. Às vezes, isso acontecia mesmo. Outras vezes, a coisa acabava por se resolver bem. Mas eu desesperava quase sempre!!!
Pronto, agora chega de me humilhar perante vós, porque penso que já terão percebido a ideia.
Felizmente, acho que no segundo filho estou bastante melhor e já não entro nestes exageros.
Há uns dias, eu estava com o P. (o meu mai-novo) e encontrei uma mãe de um colega dele com o seu filho na rua. O P. estava de t-shirt e o outro miúdo estava de camisola de algodão de manga comprida. A mãe sentiu necessidade de comentar esse facto, dizendo que já não vestia nem t-shirts, nem calções ao filho, porque achava que já estava frio e não queria passar o inverno a ir com ele às urgências, como tinha acontecido no ano passado. Eu respondi que cada criança é diferente da outra e que o P. é um rapaz "quente", que não pode ter muita roupa vestida, porque começa a suar e com o ventinho que já se sentia ao final do dia, era pior ele estar suado, porque aí sim, corria o sério risco de ficar doente. Depois ela acrescentou que na creche muitas vezes havia uma janela aberta o dia todo na sala e não os tapavam na hora da sesta e depois os miúdos apanhavam frio. Eu lá a tentei acalmar, dizendo que na creche eles andam com o bibe por cima da roupa e que isso já os aquece o suficiente. A certa altura, eu mencionei o meu filho mais velho e ela disse "Ah, pois, é que você já vai no segundo e por isso tem experiência. Mas eu não!"
Continuámos mais um bocadinho a conversa, sempre à volta do mesmo, e quando nos despedimos eu não consegui deixar de sorrir, com um certo orgulho de mim mesma e com a certeza que, de facto, ser primeiro ou segundo filho faz mesmo diferença.
(ou seja, se não me internaram até agora, já não precisam de o fazer, ok?!)
Passado o choque inicial, acho que consegui ser uma mãe moderadamente descontraída nos primeiros 6 meses.
Mas aos 6 meses tudo mudou. O J. teve uma pneumonia bilateral (em ambos os pulmões), que o obrigou a estar internado uma semana e à qual se seguiram várias infeções respiratórias que, embora não tenham envolvido mais nenhum internamento, obrigaram a várias idas ao hospital, novas palavras no meu vocabulário (broncodilatadores, tiragem, cinesioterapia, rumores/gatinhos, etc...) e muitas horas e dias de stress, numa altura em que eu passava muito tempo sozinha com ele.
Nessa altura, senti que tinha que conseguir fazer mais pelo meu filho do que estava a fazer (as mães têm esta tendência natural para achar que a culpa é sua...) e tornei-me numa mãe muito (exageradamente, ridiculamente, perigosamente) ansiosa.
Fiz coisas que, agora que penso nisso... Como é que ninguém me internou numa instituição psiquiátrica??? Como é que a família e amigos aguentaram sem me dar um par de estalos??? Como é que ninguém fez uma queixa à Comissão de Proteção a Crianças e Jovens, por excesso de zelo que resultava mal???
Hoje decidi dar ao mundo blogosférico o meu testemunho, através de alguns exemplos do que fazia, para que qualquer mãe que leia isto pense (espero eu) "Boa! Há gente pior que eu!"
Atenção: As situações que se seguem não são caricatura nem ficção. Aconteceram mesmo!
Ora então, vamos lá aos exemplos:
1 - Dormir no Inverno - Nós viviamos num último andar que era muito frio no Inverno e muito quente no Verão. Seja como fôr, no Inverno tinhamos o aquecimento a óleo ligado durante o dia. Só que eu achava que o J. teria frio durante a noite e então vestia-lhe o seguinte para dormir: um body de manga comprida, um babygrow de algodão, um babygrow de veludo e um babygrow de polar (4 camadas de roupa!!!) e depois enfiava-o dentro de um saco de dormir, daqueles de onde eles não conseguem sair (dos que se "vestem") e punha-lhe um edredão por cima...
2 - Dormir no Verão - Tal como já referi, a nossa casa era muito quente no Verão. E eu tinha por hábito que, se o J. estivesse muito suado e o pijama começasse a ficar molhado, trocava-o, mesmo com a criança a dormir (ele não acordava). Só que no Verão, numa casa quente, o rapaz suava muito... Então, eu chegava a trocar-lhe o pijama 3 e 4 vezes por noite... (Ainda hoje mantenho a prática de trocar o pijama a ambos os meus filhos, no caso de estarem muito suados. Mas agora, o que faço é trocar uma vez o pijama e a seguir procurar algo mais leve para os tapar)
3 - Creche - As creches são sítios onde normalmente está muito frio, certo?! Não!!! Mas eu achava que o rapaz tinha de ir bem agasalhado e então mandei-o o inverno inteiro com 2 bodys de manga comprida + 1 camisola de algodão (de preferência gola alta) + polar. Como ele tinha frequentemente as mãos frias, eu achava que ele não estava suficientemente agasalhado, mas não sabia mais o que lhe vestir. Agora acho que as mãos frias deviam ser uma defesa do corpo dele a tanta roupa num lugar aquecido...
4 - Rua - Eu nunca sabia bem o que vestir ao J. e, por defeito, achava sempre que nunca estava muito calor. Por isso, o meu filho chegou a ser várias vezes a única pessoa num determinado local a andar de manga comprida, quando toda a gente estava de manga curta. Se o meu dignissimo marido vir isto acrescentará, com razão, que outro dos meus problemas era estar tão indecisa que ora vestia o casaco à criança ("agora está a vir um bocado de vento"), ora despia ("agora o vento passou e já está mais calor"), ora vestia outra vez ("agora está a arrefecer")...
5 - Tosse - O J. tinha grandes ataques de tosse. Ele chegava a ter alturas em tossia praticamente ininterruptamente durante o dia e a noite, vomitando a comida e o leite, em consequência disso. Mas as minhas reações à tosse deles, senhores, as minhas reações... Eu tinha ataques de choro, porque o miúdo estava com tosse, porque achava que lá vinha mais uma infeção respiratória das grandes. Às vezes, isso acontecia mesmo. Outras vezes, a coisa acabava por se resolver bem. Mas eu desesperava quase sempre!!!
Pronto, agora chega de me humilhar perante vós, porque penso que já terão percebido a ideia.
Felizmente, acho que no segundo filho estou bastante melhor e já não entro nestes exageros.
Há uns dias, eu estava com o P. (o meu mai-novo) e encontrei uma mãe de um colega dele com o seu filho na rua. O P. estava de t-shirt e o outro miúdo estava de camisola de algodão de manga comprida. A mãe sentiu necessidade de comentar esse facto, dizendo que já não vestia nem t-shirts, nem calções ao filho, porque achava que já estava frio e não queria passar o inverno a ir com ele às urgências, como tinha acontecido no ano passado. Eu respondi que cada criança é diferente da outra e que o P. é um rapaz "quente", que não pode ter muita roupa vestida, porque começa a suar e com o ventinho que já se sentia ao final do dia, era pior ele estar suado, porque aí sim, corria o sério risco de ficar doente. Depois ela acrescentou que na creche muitas vezes havia uma janela aberta o dia todo na sala e não os tapavam na hora da sesta e depois os miúdos apanhavam frio. Eu lá a tentei acalmar, dizendo que na creche eles andam com o bibe por cima da roupa e que isso já os aquece o suficiente. A certa altura, eu mencionei o meu filho mais velho e ela disse "Ah, pois, é que você já vai no segundo e por isso tem experiência. Mas eu não!"
Continuámos mais um bocadinho a conversa, sempre à volta do mesmo, e quando nos despedimos eu não consegui deixar de sorrir, com um certo orgulho de mim mesma e com a certeza que, de facto, ser primeiro ou segundo filho faz mesmo diferença.
(ou seja, se não me internaram até agora, já não precisam de o fazer, ok?!)
Diferenças entre filhos - a alimentação (ou mais propriamente, a gulodice)
Tenho um segundo filho muito diferente do primeiro e isso é bom!
É bom, porque permite que haja mais diversidade lá em casa e permite-nos a nós, pais aprendermos mais e irmo-nos reinventando à medida que os desafios vão surgindo.
Só que há coisas em que o J. era bem mais fácil que o P., nomeadamente na alimentação.
Ambos comem bem, em termos da quantidade. Mas o J., por gostar de sopa, fruta e vegetais e não gostar especialmente de "porcarias" (gomas, bolos, doces, batatas fritas,...) sempre teve uma alimentação muito saudável, sem que tivéssemos que nos esforçar. Já o P.... também gosta de sopa e fruta, mas ADORA todas as porcarias que estejam ao seu alcance!
Exemplo disso é a sua paixão por "tátas" (batatas fritas).
Há uns dias tivemos mais um exemplo da sua gulodice. Os únicos refrigerantes de que o J. gosta são sumol de laranja e fanta. Ambos com muito gás.
Estávamos a almoçar e o J. estava a beber sumol. O P. viu e começou aos gritos "Qué muchu!!!" (Tradução: Quero sumo). Nós, que às vezes lhe damos um bocadinho daqueles sumos tipo nectar, dissemos que não havia sumo do dele. Mas ele insistia que queria "muchu" e cada vez gritava mais alto. Então os paizinhos, pensando que lhe estavam a dar uma grande lição, decidiram dar-lhe um bocadinho de sumol, para ver se ele se calava. O pai avisou "Olha que isso tem picos! Tu não vais gostar!" Deixou-o beber um golinho e ficámos a ver a reação, achando que ele ia cuspir tudo. Ele franziu o sobrolho, fechou os olhos, suspirou e depois disse, com um ar muito contente:
- Qué mais muchu com piques!!!!
Desde aí, acha que sumo que é sumo, tem que ter "piques"...
Ah, e noutro dia apareceu ao pé de mim com chocolate desde o nariz até ao queixo, passando por ambas as bochechas, porque assaltou a mochila da escola do irmão e conseguiu abrir o tupperware que tinha ainda uma bolacha daquelas com um bocado de chocolate por cima (acho que se chamam qualquer coisa como Petit Prince)
Estou bem arranjada com este...
É bom, porque permite que haja mais diversidade lá em casa e permite-nos a nós, pais aprendermos mais e irmo-nos reinventando à medida que os desafios vão surgindo.
Só que há coisas em que o J. era bem mais fácil que o P., nomeadamente na alimentação.
Ambos comem bem, em termos da quantidade. Mas o J., por gostar de sopa, fruta e vegetais e não gostar especialmente de "porcarias" (gomas, bolos, doces, batatas fritas,...) sempre teve uma alimentação muito saudável, sem que tivéssemos que nos esforçar. Já o P.... também gosta de sopa e fruta, mas ADORA todas as porcarias que estejam ao seu alcance!
Exemplo disso é a sua paixão por "tátas" (batatas fritas).
Há uns dias tivemos mais um exemplo da sua gulodice. Os únicos refrigerantes de que o J. gosta são sumol de laranja e fanta. Ambos com muito gás.
Estávamos a almoçar e o J. estava a beber sumol. O P. viu e começou aos gritos "Qué muchu!!!" (Tradução: Quero sumo). Nós, que às vezes lhe damos um bocadinho daqueles sumos tipo nectar, dissemos que não havia sumo do dele. Mas ele insistia que queria "muchu" e cada vez gritava mais alto. Então os paizinhos, pensando que lhe estavam a dar uma grande lição, decidiram dar-lhe um bocadinho de sumol, para ver se ele se calava. O pai avisou "Olha que isso tem picos! Tu não vais gostar!" Deixou-o beber um golinho e ficámos a ver a reação, achando que ele ia cuspir tudo. Ele franziu o sobrolho, fechou os olhos, suspirou e depois disse, com um ar muito contente:
- Qué mais muchu com piques!!!!
Desde aí, acha que sumo que é sumo, tem que ter "piques"...
Ah, e noutro dia apareceu ao pé de mim com chocolate desde o nariz até ao queixo, passando por ambas as bochechas, porque assaltou a mochila da escola do irmão e conseguiu abrir o tupperware que tinha ainda uma bolacha daquelas com um bocado de chocolate por cima (acho que se chamam qualquer coisa como Petit Prince)
Estou bem arranjada com este...
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Problemas de auto-estima? (ou uma boa forma de recomeçar a escrever)
Decidi que o dia de hoje e uma ficha de TPC do meu filho criavam um bom momento para voltar ao blog.
O J. está no 2º ano e este fim de semana teve de fazer uma ficha em que deveria descrever-se, completando frases.
As primeiras frases eram simples "Os meus olhos são...", "O meu cabelo é...", mas depois começavam as mais complicadas, em que era suposto ele descrever as suas características psicológicas, o que mais gostava em si e o que os outros mais gostavam nele.
As perguntas e respostas foras as seguintes:
Eu sou... "Um pouco louco e divertidissimo!"
O que mais gosto em mim é... "Gosto de tudo em mim" (ao pai tinha dito que responderia "Gosto de ter um cérebro muito flexível")
Porque... "Sou um miúdo muito fixe!"
O que os outros mais gostam em mim é... (aqui ele teve mais dificuldade, porque dizia "Eu não sei o que os outros gostam em mim... eles é que sabem", mas acabou por responder) "Sou muito querido"
Porque... "Sou lindo e sou simpático para toda a gente"
E pronto, assim se consegue que uma mãe deixe de se preocupar que o seu filho tenha problemas de auto-estima, para passar a preocupar-se que o seu filho talvez seja até demasiado narcísico...
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Uma lição de anatomia
Estou grávida de 26 semanas.
Vou ter outro rapaz.
O mini-seminómada está contente!
Dá-me festinhas e beijinhos na barriga, fala com o irmão e já se nota que se preocupa com ele.
Ontem mostrou mais uma vez a sua preocupação, no final do jantar. Ele estava a comer morangos, eu perguntei se estavam bons, ele ofereceu-me um, eu respondi que não podia comer (não estou imune à toxoplasmose e a minha médica acha melhor não comer morangos, mesmo lavando-os bem) por causa do bebé. De repente, ele olhou para mim com um ar muito aflito e disse:
- Pois é, mãe, tu não podes comer nada! Porque quando tu comes o bebé fica enterrado. Coitadinho!!!
Eu tive de pensar uns segundos, para tentar perceber o raciocínio, e depois perguntei-lhe:
-Porquê? Porque o bebé está na barriga e a comida também vai para a barriga?
- Sim!!! - respondeu ele
Ri-me e depois tentei dar-lhe umas noções básicas de anatomia, para lhe explicar que o irmão não corria o risco de ficar soterrado em comida.
Hoje de manhã, pouco depois de acordar, ele apontou para a zona do meu estomago e disse:
- O estomago fica aqui, não é mamã? O bebé está aqui mais em baixo, dentro de uma bolsa e está bem protegido, pois é?
Sorri e acenti.
Adoro estas conversas com o meu rapazinho de 4 anos!
(Também estou entusiasmada com a perspetiva de ter novamente um recém nascido, mas a fase em que o J. está é muito gira!)
Vou ter outro rapaz.
O mini-seminómada está contente!
Dá-me festinhas e beijinhos na barriga, fala com o irmão e já se nota que se preocupa com ele.
Ontem mostrou mais uma vez a sua preocupação, no final do jantar. Ele estava a comer morangos, eu perguntei se estavam bons, ele ofereceu-me um, eu respondi que não podia comer (não estou imune à toxoplasmose e a minha médica acha melhor não comer morangos, mesmo lavando-os bem) por causa do bebé. De repente, ele olhou para mim com um ar muito aflito e disse:
- Pois é, mãe, tu não podes comer nada! Porque quando tu comes o bebé fica enterrado. Coitadinho!!!
Eu tive de pensar uns segundos, para tentar perceber o raciocínio, e depois perguntei-lhe:
-Porquê? Porque o bebé está na barriga e a comida também vai para a barriga?
- Sim!!! - respondeu ele
Ri-me e depois tentei dar-lhe umas noções básicas de anatomia, para lhe explicar que o irmão não corria o risco de ficar soterrado em comida.
Hoje de manhã, pouco depois de acordar, ele apontou para a zona do meu estomago e disse:
- O estomago fica aqui, não é mamã? O bebé está aqui mais em baixo, dentro de uma bolsa e está bem protegido, pois é?
Sorri e acenti.
Adoro estas conversas com o meu rapazinho de 4 anos!
(Também estou entusiasmada com a perspetiva de ter novamente um recém nascido, mas a fase em que o J. está é muito gira!)
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