Eu considero-me uma pessoa bastante sortuda! Pela família e amigos que tenho, pelas oportunidades que a vida me tem dado e pelo meu bom anjo da guarda, que me tem permitido escapar ilesa a alguns episódios surreais...
Várias vezes tenho ouvido comentários como "A ti, tudo te acontece" ou "Tu parece que tens sete vidas, como os gatos". E a verdade é que de cada vez que acontece mais um episódio há sempre alguém a fazer-me ver como podia ter sido grave, aquilo que não passou de um susto.
Assaltos à mão armada (eu tive mesmo uma pistola encostada à minha barriga...), vidros a cair-me em cima da cabeça, homens com um ar bastante suspeito a perseguir-me (esta aconteceu-me duas vezes, uma quando eu era criança e outra já em adulta...), uma companheira de natação a fazer-me ir ao fundo porque descobriu que não sabia nadar quando já estava "fora de pé" e achou por bem agarrar-se ao meu pescoço... Enfim, as aventuras vão-se sucedendo...
Há dois anos eu arranjei mais um elemento catalisador de aventuras (deve ser a minha tendência para o abismo)... um cachorrinho que tinha sido atropelado e que eu achei por bem acolher. A revolução causada por ele foi de tal ordem, que eu comecei a dizer que a minha vida se dividia em "Antem do Miró" e "Depois do Miró". Desde atirar-se ao rio, até ir à minha procura no meio da linha do comboio um minuto antes dele passar, este cão já fez de tudo um pouco. E o meu coração foi ganhando alguma resistência!
Mas ontem o meu coração voltou a parar...
Vinha a conduzir e reparei que se acendeu a luz de porta mal fechada. Como tinha aberto uma das portas de correr da carrinha, calculei que fosse essa. Na altura não dava para parar e entretanto as portas trancaram e o sinal apagou, deixando-me mais descansada. Quando ia a subir a Av. EUA, que estava bastante movimentada àquela hora, ouvi qualquer coisa e os carros que vinham atrás começaram todos a apitar. Olhei pelo espelho retrovisor e vi a bagageira, onde viajavam os meus dois cães, completamente aberta. Imediatamente a seguir vi a minha cadela no meio da estrada... Estando eu na faixa do meio, tive de passar para a direita e depois virei para a Av. Rio de Janeiro, atirei o carro para cima do passeio e fui à procura deles.
O meu cão (o tal maluco) estava no passeio, com um ar absolutamente aparvalhado (tipo: o que é que aconteceu???) e, enquanto eu olhava para todos os lados a tentar encntrar a cadela, um senhor disse-me que ela estava no meio da faixa de rodagem. "Se quiser, pego nesse enquanto a senhora vai atrás do outro" disse-me ele. Eu aceitei e fui a correr para o separador central, onde sôdona cadela estava, preparando-se para atravessar para o outro sentido. Atravessei, pus os cães no carro, fechei a bagageira e fui-me embora, ainda a tremer por todos os lados...
Quando cheguei a casa, sentei-me (ainda a tremer)e comecei a pensar no que poderia ter acontecido (meus ricos cãezinhos!!!) e, por outro lado, em toda a cena e como as pessoas que assistiram devem ter achado surreal ver dois cães a cairem de um carro e, logo a seguir, uma mulher barriguda a correr atrás de deles pelo meio da estrada... Ainda me ri!
Mais uma vez, tenho de agradecer ao meu Anjo da Guarda!
Mas olha, anjinho, vê lá se começas a ser menos exibicionista. Sim, porque eu já percebi que és também tu que crias as situações, para depois me safares delas!
:-)