quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As crianças a viver as crises


Há uns dois ou três anos, numa sessão de um projeto com crianças do 1º ciclo, do qual eu fazia parte, a senhora que estava a falar com a turma perguntou a profissão dos pais  e houve um menino que começou a chorar silenciosamente.

O pai dele estava desempregado. Andava à procura, mas não recebia respostas. Em desespero, estava a preparar a sua partida para o estrangeiro, em busca de uma situação melhor.

O filho, uma criança de 7 anos, chorava e dizia "Eu vou ficar sem o meu pai!". E perante tanta tristeza, eu e os outros adultos que o acompanhavam, ficámos com os olhos marejados de lágrimas. Pela nossa impotência para ajudar aquela criança e todas as outras que nos últimos anos têm passado por isso.

Ontem o meu filho chegou a casa a falar do terrorismo na Europa e dos atentados em Bruxelas. Percebi-lhe alguma insegurança e confusão relativamente ao assunto. Mas fiquei com um aperto no peito quando ele me disse "O C. tem medo que matem o pai dele... O pai dele está a trabalhar em Bruxelas e o C. tem medo que o matem!"

Estes são exemplos de crianças que vivem de forma direta situações dificeis, de que nós ouvimos falar...

O único pensamento que me ocorre é: Como era bom podermos dizer a estas e a todas as crianças que vai ficar tudo bem e que podem viver a sua infância de forma descontraída, sem medo de perderem aqueles que mais amam!...

1 comentário:

macaca grava-por-cima disse...

... mas não podemos! :(

estou mesmo a imaginar a vozinha do João a dizer isso...