segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Responsabilidade civil

Estava sentada numa mesa de café com colegas minhas a conversar animadamente.
Ela já lá estava, noutra mesa, sozinha, mas nem a vi.
Reparei nela, quando ele entrou, se aproximou dela e começou a gritar "Só não te bato aqui, porque estás no café! Não te admito que insultes a minha mãe, ouviste?!?!"(aparentemente, ela chamou-lhe filho da puta numa discusão passada). Ela respondeu "Queres bater, bate!". Ele gritou mais "Isso querias tu, que eu te batesse aqui!"... Continuaram a discutir. Ele com a cara cada vez mais próxima da dela e pronto para lhe bater com um porta-guardanapos na cara (acho que nestas alturas tudo serve como arma de arremesso). Ela levantou-se e deu-lhe um empurrão, ele respondeu com um estalo e as agressões fisicas sucederam-se...
Nesta altura, pensei que deveriamos chamar a GNR. Uma das minhas colegas fez sinal ao empregado de café e eu achei que seria isso que ele faria. Mas não. Ele aproximou-se, separou-os e pediu ao "senhor" que se retirasse.
Enquanto ele fazia o trajecto até à porta da rua, ela gritou "Nunca mais me voltas a bater" e ele revelou a verdadeira razão de estar ali "Ela deixou-me e ainda me chamou filho da puta". Depois gritou que quando ela saisse dali a matava.
Ele saiu. Ela começou a chorar, enquanto limpava o lábio que sangrava.
Uma das minhas colegas comentou que já não era a primeira vez que ele fazia uma cena daquelas.
Outra colega disse que achava que ela devia fazer queixa, até porque tinha testemunhas que tinham assistido e ouvido todas as ameaças.
Eu achei que a GNR devia ter sido chamada.
Mas ninguém se quis "meter"...

Hoje assisti a uma cena de violência doméstica (crime público que qualquer pessoa pode e deve denunciar) e não fiz nada...
Sinto-me mal! Sinto-me culpada e cúmplice deste crime!
Tenho vergonha do meu comportamento...

2 comentários:

Tarwin disse...

O facto de não teres reagido significa que não estavas preparada para assistir a tal coisa. Ninguém devia estar... Mas não foste cúmplice de um crime. Foste apenas "vacinada" para o que deves fazer da próxima vez que tal acontecer. O teu peso na consciência não retira dor à rapariga mas dá-te força para a ajudar se tal voltar a acontecer. Beijo

 Pedro Serrano disse...

Também acho! Acho que, no mínimo, devias ter cometido sepoku quando chegaste a casa ou, talvez, até no próprio café o que faria com que todos aparecessem na TV. Ou, em vez de te lamentares, podias ter atirado com um suporte de guardanapos aos (literalmente, ao que parece) cornos do gajo! Deixemo-nos de hipocrisia, meninas, e de falsas lamentações: isso aqueceu o vosso convívio no café e o que se passa na vida íntima de cada um é com cada um. Crime? Um gajo dar uma lambada numa gaja que, por sua vez, lhe agradece com uns safanões? Please!