quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma amiga especial



O meu filho tem como nova amiga uma boneca insuflável, a quem ele adora dar beijos e abraços...
Nos primeiros dias não a largava. Mas entretanto lá deve ter percebido que o bom de ter uma boneca insuflável é poder recorrer a ela só quando lhe apetece, sem que ela se queixe de falta de atenção. Por isso, agora remeteu-a para a casa de banho e só quer a companhia dela quando está dentro da banheira ou na sanita...
É gajo e basta!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Responsabilidade civil

Estava sentada numa mesa de café com colegas minhas a conversar animadamente.
Ela já lá estava, noutra mesa, sozinha, mas nem a vi.
Reparei nela, quando ele entrou, se aproximou dela e começou a gritar "Só não te bato aqui, porque estás no café! Não te admito que insultes a minha mãe, ouviste?!?!"(aparentemente, ela chamou-lhe filho da puta numa discusão passada). Ela respondeu "Queres bater, bate!". Ele gritou mais "Isso querias tu, que eu te batesse aqui!"... Continuaram a discutir. Ele com a cara cada vez mais próxima da dela e pronto para lhe bater com um porta-guardanapos na cara (acho que nestas alturas tudo serve como arma de arremesso). Ela levantou-se e deu-lhe um empurrão, ele respondeu com um estalo e as agressões fisicas sucederam-se...
Nesta altura, pensei que deveriamos chamar a GNR. Uma das minhas colegas fez sinal ao empregado de café e eu achei que seria isso que ele faria. Mas não. Ele aproximou-se, separou-os e pediu ao "senhor" que se retirasse.
Enquanto ele fazia o trajecto até à porta da rua, ela gritou "Nunca mais me voltas a bater" e ele revelou a verdadeira razão de estar ali "Ela deixou-me e ainda me chamou filho da puta". Depois gritou que quando ela saisse dali a matava.
Ele saiu. Ela começou a chorar, enquanto limpava o lábio que sangrava.
Uma das minhas colegas comentou que já não era a primeira vez que ele fazia uma cena daquelas.
Outra colega disse que achava que ela devia fazer queixa, até porque tinha testemunhas que tinham assistido e ouvido todas as ameaças.
Eu achei que a GNR devia ter sido chamada.
Mas ninguém se quis "meter"...

Hoje assisti a uma cena de violência doméstica (crime público que qualquer pessoa pode e deve denunciar) e não fiz nada...
Sinto-me mal! Sinto-me culpada e cúmplice deste crime!
Tenho vergonha do meu comportamento...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eu, ecologista

Desde que me conheço que sempre tive uma vertente de protectora do ambiente e principalmente dos animais.

Não sou vegetariana (muito menos vegan), nem participo em manifestações das Associações de Protecção de Animais, mas custa-me matar animais, mesmo que seja uma formiga (tenho um enorme respeito por elas e pela sua organização, basta olhar para a história da "Cigarra e da Formiga") ou uma melga (sou normalmente um alvo demasiado fácil para elas...). De certeza que haverá muita gente a achar que é uma contradição eu dizer que não mato animais e depois comer carne. Mas a questão é que eu não os mato por prazer e só consigo comer carne vinda do talho (how stupid is that?!?!). Por exemplo, houve uma altura que eu tinha galinhas e coelhos, que nasciam, cresciam e iam parar inevitavelmente à arca frigorifica e depois ao prato. Nessa altura, se eu não tivesse 10 anos e conseguisse impor as minhas convicções a nível alimentar ter-me-ia tornado vegetariana, porque de cada vez que o jantar era um bichinho vindo da capoeira/ coelheira eu fazia uma choradeira enorme.

Todos os animais eram queridos e amistosos. Eu apanhava-os quando estavam a incomodar alguém e normalmente fazia intenção de os adoptar.

Lembro-me de uma vez que apareci ao pé da minha mãe com um balde de praia, que tinha lá dentro o meu novo amiguinho, um rato de esgoto. A minha mãe teve um ataque de histeria e inumerou umas quantas doenças a que eu estaria sujeita se levasse a minha avante. Não me lembro quem se desfez do bichinho, mas eu tive muita pena que não me tivessem deixado ficar com ele...

Outro exemplo é a história do dia em que o meu pai me ofereceu um colete feito de pele de carneiro. Eu tinha 4 anos e lembro-me de ter os adultos à minha volta a explicarem que aquilo era o pelo do cordeirinho, como se isso fosse a coisa mais encantadora do mundo. Ao fim de um bocado de os ouvir, reagi perguntando na minha voz invulgarmente grave para a idade: "Quem matou o carneirinho???"

Ora, tudo isto surge para justificar que eu ponha aqui um vídeo de uma música muito foleirinha, com uma letra muito melodramática, que eu encontrei no youtube um bocado por acaso, e que (confesso) eu adorava quando tinha cerca de 11 anos (foi quando a descobri). Era este o meu espírito na fase de final de infância/ inicio de adolescência... (aos 12 anos a minha camisola favorita dizia "Salve as Focas")





Actualmente, já não quero trazer para casa todos os bichinhos que encontro, mas continuo a gostar de observar animais e tenho o sonho de um dia conseguir que as pessoas acreditem que os animais têm efectivamente sentimentos, tão válidos como os dos humanos...